- Infelizmente a cabeça é minha, e ninguém mandou vocês serem logo nela. – falo para as serpentes que ficam irritadas e sibilam mordiscando minha orelha.
Eu já não ligo para as tentativas delas me machucarem, nunca conseguem, sou imune ao veneno e seus dentes não me perfuram, é como se eu fosse indestrutível, mas apenas para aquelas coisas escamosas.
- É melhor vocês pararem de tentar! – falei um pouco irritada, eu odiava os ataques de raiva daquelas coisas – Quando eu me irritar eu arrancarei uma por uma! – gritei e senti elas parando, elas ficando quietas e deixando eu fazer o que eu queria.
Claro, eu não iria ser tão idiota ao ponto de me machucar para tirar aquelas coisas, elas são como uma parte de meu corpo e quando eu as arranco ou elas se machucam eu sinto em mim, e não é uma dor agradável, é a pior possível, é como se arrancassem meu coro cabeludo e batessem em meu cérebro tentando machucar o cérebro, daí você tem uma idéia produtiva.
Chego ao quarto e pego meu notebook, ou melhor, da antiga moradora e apenas o abro e já está na pagina do meu blog, eu me tornei um fenômeno na internet, todos me conhecem e me seguem, podem até não seguir mais recebo mais de 5 mil visitas por dia, então eu tiro essas conclusões.
O blog tem muitos comentários, eu fico feliz em ver a repercussão de toda minha historia, é tão mágico se sentir bem, se sentir conhecida, ou pelo menos reconhecida. Mas eu possuía um comentário num dos textos que eu nunca recebi igual, queria marcar um encontro, pois era um empresário a procura de novos talentos para a literatura e ele viu meu blog e amou, com todas as palavras grifadas. Quando li aquele comentário as cobras (cabelos), sibilaram de felicidade, ficaram se mexendo agitadas, se enroscando uma na outra, mas eu tinha que pensar no que fazer, eu não poderia deixar ele me reconhecer, eu tinha que disfarçar de alguma forma, e a velha idéia me veio a cabeça, a mais velha possível.
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