Então eu comecei a lembrar, tudo sobre minha fuga, tudo voltou a minha cabeça, todos os pequenos detalhes, todas as pequenas besteiras, todos os pequenos erros, todas as destruições.
Eu corria com os pés nus na densa floresta de Nitimus, a floresta mais perigosa, mais assustadora, a floresta onde as criaturas da escuridão moravam, onde possuíam um clã, e era dali que eu fugia. Meus pés começaram a ficar machucados, o sangue já escorria, meus braços e todas as partes do corpo estavam arranhadas ou feridas devido aos galhos, batiam em mim e deixavam suas marcas, eu não sentia dores, meu desespero não deixava.
Escutei galopes não tão distantes e algo aconteceu, o centauro, grande, com o corpo nu e definido estava em minha frente, eu conseguia ver apenas seus brilhosos os olhos azuis em meio a escuridão, eu não sabia o que fazer, as serpentes sibilaram.
- Venha! – ele ordenou.
- Não, eu não vou voltar, por favor me deixe ir! – gritei.
- Eu não vou deixar você voltar, eu irei te afastar. – ele e aproximou segurou meu braço e uma paz me invadiu, uma coisa mágica, um amor incondicional, então me deixei levar.
Quando subi em sua garupa eu adormeci e meu ultimo vislumbre foi daqueles lindos e milagrosos olhos azuis, então eu apaguei. Acordei numa cidade brilhante e movimentada, estava escondida, e com roupas, minha cabeça coberta por algo, eu não me lembrava nitidamente, mas me lembrava e tudo que aconteceu a seguir eu já sabia muito bem, não era uma lembrança.
Ele tirou o dedo de minha pele e o devaneio acabou, e a única coisa que consegui fazer foi perguntar, apenas perguntar.
- É mesmo você? – olhei em seus olhos.
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